
Kitewave - A onda do momento.
por: Gustavo Foerster (Kitesurf Mania)
É uma febre. Em todo Brasil muita gente tem velejado com pranchas de surf e curtido o verdadeiro estilo Wave. Os saltos, os bottons turns, manobras na parede da onda e jibes, relembram o surf e o wind, tornando o velejo ainda melhor. Com a chegada da geração bow de kites com maior deepower, as possibilidades aumentaram. Já é possível se manter na onda com baixa velocidade, aproveitando bem a parede, executando batidas e rasgadas com precisão. Os saltos, giros e table tops ficam irados quando executados nas alturas, aproveitando a rampa das ondas. Pra quem curte o kite tradicional, a possibilidade de manobrar desengatado, usando o corpo livre, deixa o surf ainda mais clean. A categoria já foi incluída no Brasileiro e está presente em alguns campeonatos estaduais. Kitewave é a onda do momento.
Grandes nomes do surf já são adeptos deste estilo. Ademir Calunga, Sylvio Mancusi, Eraldo Gueiros, Eduardo Rato fernandes, além de vários feras que são do kite mesmo, como Guilly, Miller Morais e Marcelo Cunha. Feras do wind como Kauli Seadi não dispensam uma boa seção em Ibiraquera. Os iniciantes estão vendo no velejo nas ondas a possibilidade de diversão garantida. A prancha maior ajuda, mas a atenção com as ondas exige domínio com a pipa.
Revistas internacionais e a mídia especializada já exibem cada vez mais fotos e anúncios. Trips para Cabo Verde e Indonésia se tornaram destinos de velejadores. Na tv, Guilly dropa Pipeline no Esporte Espetacular. É verdade que o Freestyle continua sendo a modalidade de maior impacto e performance, mas talvez o Wave se torne a categoria mais popular.
No mercado de shapers de prancha, um pensamento comum começou a surgir entre os fabricantes. Já que o conceito surf estava sendo imposto no kite, porquê não adaptar verdadeiras pranchas de surf para servirem no velejo? Vimos uma corrida das marcas e muitas pranchas surgiram, porém foi constatado que a forma de produção e a qualidade dos materiais era fundamental na performance do produto. Após a euforia, alguns shapers nacionais que fizeram pesquisa na área estão tendo bons resultados. Pranchas importadas também fazem sucesso pela durabilidade e tecnologia agregada.
A evolução de quem pratica parece muito com a do surf. Quanto mais dias na água, mas flúido você fica. Não basta ter todas as habilidades com o kite, também tem que entender de onda. Não basta ser o fera das ondas, também tem que conhecer o vôo da pipa. Uma boa relação com o mar, correntezas, surfistas e banhistas é fundamental. Alguns conceitos também são essenciais pra uma boa performance na água:
1) Pico, intervalo das séries, correnteza e surfistas:
Antes de entrar na água, verifique onde entram bem as ondas, se existem surfistas, tamanho e intervado das séries e sentido da corrente. Isso vai te ajudar a prever seu posicionamento de acordo com o vento. Os surfistas possuem menos mobilidade e devem sempre ser respeitados. Evite passar perto deles e se não puder evitar, diminua a velocidade mostrando que você está com controle. A correnteza pode ajudar na orça (quando contra o vento) ou prejudicar (quando a favor do vento).
2) Posicionamento na onda:
Pico é o lugar onde a onda é mais alta. Parede é quando ela se torna sólida e reta, proporcionando manobras. Espuma é o final da onda, parte menos manobrável. Para aproveitar bem, é perciso dropar a onda no pico e aproveitar bastante a parede. As vezes é necessário baixar a velocidade, para que você não passe e a onda fique. Nos kites formatos Bow, utilize o deepower da barra. Nos kites tradicionais, acione o freio e diminua a potência. Explore bem as junções e tente exibir uma linha base-lip. Seu surf fica muito mais radical subindo e descendo na onda do que passeando no meio.
3) Posicionamento do Kite
- Surf orçando (contra o vento) : procure andar próximo a parede, executando batidas, aéreos e rasgadas curtas. A tensão na linha ajuda a manobra, mas não use muito o kite pra não parecer artificial. Se estiver de backside, explore as batidas retas e backloops na onda. De front side, os aéreos saem facil e você pode incrementá-los pousando de rabeta. Se o vento tende a maral (perpendicular a praia), levante a pipa antes da manobra para que ela não caia quando as linhas perderem tensão.
- Surf arribando (a favor do vento) : As manobras são muito mais expressivas, joga muito mais água. Começe orçando e visualize a parede na ondulação se formando a downwind de onde você está. Jogue o kite pra trás da onda e arribe no mesmo sentido. Comande o kite de volta a posição inicial ao mesmo tempo que você executa a batida (ou aéreo). O kite deverá te ajudar a finalizar a manobra, te trazendo de volta a parede onde o ciclo recomeça. Outro recurso é executar um downloop no kite e continuar segurando o comando. A arribada na onda é a cavada, e a volta do kite para o sentido inicial é a hora da batida. É no surf arribado que Guilly Brandão executa o Aéreo Handle Pass, uma das poderosas manobras do seu arsenal. Cut backs e rasgadas longas caem super bem nesse ângulo de vento.
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Créditos
Site: www.kitesurfmania.com.br
Autor: Gustavo Foerster
Título: "Kitewave - A onda do momento"
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